domingo, 22 de dezembro de 2013

Planejamento



Olhei para o lado e me deparei com aqueles olhos tão profundos quanto uma canção do Pink Floyd, desviei-os para encenar timidez. Intrinsecamente desejava que ele viesse até mim, mas ele apenas continuou a sua leitura, suspirei e continuei a minha, assim como todos na biblioteca. Ouvi o som de um livro se fechando e passos em minha direção, meu coração acelerou.

Minha mente começou a imaginar diferente coisas, quando tivéssemos nossos filhos, eles ouviriam Pink Floyd e riríamos assistindo a “O ladrão de raios”, apontando as piores falhas. Mas quando ainda fôssemos jovens, passaríamos por todas as aventuras, todas as ressacas, todas as delegacias, até um de nós dois ter que parar.

Viveríamos na estrada, dirigindo pelo país em uma kombi azul, vendendo bugigangas para pagar a gasolina e o a comida. Negar-nos-íamos a ser extorquidos pelo governo e não pagaríamos imposto de renda, seriamos procurados pela receita, mas não nos pegariam, colocaríamos o pé na estrada antes. “Nascidos para serem selvagens”,alguns diriam. Até o momento em que notávamos que a juventude nos fugia e tínhamos que nos assentar e levar uma vida sedentária porém feliz.

Os passos continuaram e passaram de mim. Meu interior encheu-se de frustração ao vê-lo dirigir-se às estantes e procurando outro livro. Soltei um longo suspiro e continuei a minha leitura. Nada na vida é como o planejado, e quando ocorre como tal, não tem emoção alguma.

sábado, 9 de novembro de 2013

Logo eu

Logo eu, sempre tão contida,
cometi o erro de me apaixonar por ti.
Logo tu, tão oposto a mim,
foi me cativar.
Logo nós, tão diferentes,
fomos nos encantar.
Logo nós, sempre tão calados,

ficamos apenas a nos observar.

Como é triste

Como é triste eu não poder te tocar, mais triste ainda é não te ver mais. Como é triste nós nunca termos nos falado. Eu te vejo e você me vê, então por que não criamos coragem de dizer qualquer coisa, não importa o quê. Quando te vi partir hoje, meu coração ficou apertado, nem mesmo nos despedimos. O que custa a nós nos cumprimentarmos? O que custa a nós sorrirmos um para o outro ao invés de nos olharmos disfarçadamente? O que custa a nós termos alguma atitude? Eu te quero, você me quer, vamos nos querer juntos!

terça-feira, 5 de março de 2013

Olá / Adeus



Olá, você que dizia que estaria sempre ao meu lado
Olá, você que dizia que respeitaria minhas escolhas
Olá, você que dizia que era meu amigo

Adeus, todos vocês
Não quero estar onde não posso pensar
Não posso estar onde não posso sentir

Se um dia sentirem uma ausência
Apenas olhem para o nada
É lá onde estarei

Quando tudo acabar
Eu não vou me importar
Eu não  irei sangrar

Apenas partirei
Pensarei
Agirei

Adeus, você que me largou
Adeus, você que não respeitou minhas escolhas
Adeus, você que me mostrou que não há amizade

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ei você


Ei você, por que ainda se importa?
Se você bem sabe que um dia a verdade bate a tua porta.
Que você surta e ninguém se importa
e no fim acabará morta;

Ei você, desligue esses sentimentos,
todos se aproveitarão deles
Você nunca sabe dizer um não
e no fim acabará jogada no chão;

Ei você, não precisa desistir, só ignore
Deixe-os pensar que você é forte
Que é resiste até à morte
e por fim obterá alguma sorte;

Ei você, só lembre de demonstrar indiferença
Não deixe que neles brote esperança
Que isso é coisa de criança
e no fim obterá alguma mudança;

Ei você, esqueça tudo o que eles dizem
Não siga os seus palpites
E descubra os seus calcanhares de Áquiles
e por fim jamais vaciles


A propósito, publiquei uma playlist no "Reforma Auditiva", ouçam> http://reformaauditiva.blogspot.com/2013/02/playlist-pro-feriadao.html

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Complô


Você diz que eu mudei. Diz que estou me escondendo numa névoa de ironia e não consegue mais contato direto com quem eu sou, mas a verdade é que a mudança ocorreu quando te conheci. Era cercada por uma barreira que você  foi capaz de demolir com palavras doces e falsas, a proteção caiu e fique exposta à humanidade, e o pior: sem você.
Sem saber como agir, fui ferida várias e várias vezes, jurei nunca mais me apegar a ninguém, porém já era tarde. Aos poucos consegui me erguer e iniciar a construção de um muro, voltar a ser a pessoa reclusa em seu mundo próprio e não me importar com mais nada. O muro foi construído, tentei desligar a sensibilidade e voltar a ser a pessoa entorpecida de antes, já era tarde.
Mesmo que a falta de sentimentos não fosse real, e eu ainda me importasse com as pessoas, com o mundo e com você, iniciei a farsa, mantive a aparência de descasso e aos poucos consegui uma fina camada de gelo cobrindo meu coração. Tudo estava correndo bem, de uma forma racional e fria reconfortante, então você reaparece.
Reaparece, e instantaneamente meu cérebro começa a operar as lembranças, meu coração começa  a doer ao relembrar o abandono e covardemente eles se unificam para abrir uma entrada no muro para você. Meu mundo começa a desmoronar, vejo meu castelo sendo invadido e saqueado e quando tudo acaba o que fica é você, por um complô covardemente arquitetado pelo meu coração e cérebro.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

E agora: Selinho

Ei, caras, esse selinho eu recebi do Edu Urameshi (Urameshi Downs) e eu não sou boa com as palavras, nem com os agradecimentos e com demonstração de sentimento algum, mas muito obrigada, Edu!
Bem, tem que indicar para 15 blogs, mas devido ao meu desaparecimento da blogosfera (esse termo ainda é usado?) os blogs que eu costumava acompanhar ou mudaram de endereço, ou não existem mais, ou esqueci quais eram. Então eu indicarei aos blogs dos bons tempos que ainda estão na ativa:
Doce Essência
Existo, penso e escrevo.
Um pequeno vírus
Blog do John
e os outros blogs para os quais eu indicaria mudaram de endereço ou alguma das coisas citadas acima D:


Avisar a pessoa que você nomeou como ganhadora do selo
Agradecer ao blog que te nomeou.
Adicionar o post ao blog.


Adicionar 7 coisa que você gosta de fazer: 
1- Dormir
2- Ler
3- Assistir a séries (humor em especial)
4- Ouvir música
5- Pular ouvindo música
6- Tirar onda com as pessoas
7- Dormir (novamente, pq eu amo muito)

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Então, isso é tudo, pessoal

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sem perceber

Olhe em meus olhos
Tente ver minha alma entorpecida
Eu não quero sentir esse frio interior

Eu não posso entender
Mas não, eu não quero morrer
Mas a dor que é viver me sufoca

Dê-me a navalha
Dê-me a seringa
Onde estão meus entorpecentes?

Quando eu era jovem, tive um sonho
Flutuava no ar livre, como uma pluma
Não havia dor, não havia nada

Agora nem mesmo sei quem sou
É tudo medo e pavor
Afundo sem perceber

S.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Mudanças

A dor tornar-se-á indiferença
O rancor será pena
E o amor, o vazio
Tudo perderá o significado original
A importância perderá o sentido
E você andará à deriva
Esperando algo que não ocorrerá
E surgirá uma nova dor
Fruto do vazio do seu coração
Essa será a sua nova razão
Para seguir em frente. tentar superá-lo
Porque, no fim, o que move o mundo é o que fere
É o que te dá determinação
É a dor

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Primeiro post do ano, isso eu escrevi do nada, de repente me veio a fonte de inspiração. Fala sobre coisas que eu passei, a dor que eu senti e imaginei que nunca passaria (e que aliás foi o que inspirou diversos textos deste blog), a raiva que eu senti de alguém que pisou em mim durante todo um ano letivo mas no fim eu deixei de me importar para sentir pena, porque sei que o retorno está chegando, e aquelas pessoas que eu pensava amar e acreditei sempre poder contar com a amizade mas que simplesmente passaram a me ignorar, como todos acabam fazendo.
Não há algo que me perturbe mais do que não ter o que sentir, e isso é algo frequente e atualmente a maior fonte de minha dor. Para mim, a dor pela ausência de dor é a pior, porque não há um motivo lógico para sofrer e fica difícil lutar contra algo que não pode ser atingido, mas é o que me faz seguir em frente atrás de algo que me machuque mas preencha o vazio. É insano e masoquista, mas é a verdade.
Volto dois anos no tempo e lembro que aquela época foi a que eu mais sofri, e apesar de tudo eu sinto falta porque havia pessoas que me ajudavam com o sofrimento, que me davam motivos de risos, pessoas que eu não me imaginava viver sem e que hoje não estão nem aí para mim, porque estão namorando, ou têm novos amigos que são mais interessantes e por isso não me dão sequer um "oi". E a causa da dor hoje me parece tão patética que eu me envergonho, e em meio a tudo isso hoje quando encontrei certas "relíquias" os meus olhos se encheram de lágrimas e eu percebi o quão rápido o tempo passa.
Não sei porque estou escrevendo isso tudo, talvez porque eu desejasse desabafar e o twitter fosse pequeno demais ou porque aqui eu sei que quase ninguém lerá, Enfim, perdoem-me a má pontuação e repetição de palavras e coisas do tipo (sei que meu professor de redação nunca perdoaria) e tenham um bom ano, e lembrem-se: quando vocês estiverem na pior sempre aparecerão pessoas para vos levantarem e fazerem rir.